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Gestalt-terapia na clínica contemporânea: como compreender os sofrimentos psíquicos do nosso tempo

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    IGC - Instituto Gestalt
  • há 14 horas
  • 12 min de leitura

Vivemos em um tempo marcado por aceleração, excesso de estímulos, fragilidade dos vínculos, hiperconectividade, cansaço psíquico e formas cada vez mais complexas de sofrimento. Em meio a esse cenário, muitas pessoas se perguntam se abordagens clínicas desenvolvidas em outros contextos históricos ainda conseguem responder aos desafios atuais. No caso da Gestalt-terapia, a resposta tende a ser afirmativa — desde que ela seja compreendida não como um conjunto fixo de técnicas, mas como uma perspectiva clínica viva, relacional e aberta à complexidade da experiência humana.


A clínica contemporânea encontra hoje pacientes atravessados por ansiedade difusa, empobrecimento da presença, crises de identidade, sofrimento juvenil, retraimento relacional, experiências traumáticas, dificuldades de simbolização, dependência tecnológica e impasses existenciais que não podem ser reduzidos a rótulos diagnósticos. Nesse contexto, a Gestalt-terapia preserva uma atualidade importante justamente porque trabalha com a experiência, com o contato, com a relação e com os modos pelos quais uma pessoa interrompe, restringe ou empobrece sua possibilidade de estar no mundo de forma mais integrada.


Como lembram Perls, Hefferline e Goodman, o foco da Gestalt-terapia está na fronteira de contato, isto é, no lugar vivo em que organismo e ambiente se encontram, se afetam e se constituem mutuamente (Perls, Hefferline & Goodman, 1997). Isso significa que o sofrimento não pode ser compreendido apenas como algo “interno” ao indivíduo, nem apenas como produto exterior do meio, mas como expressão de uma configuração relacional, histórica e existencial.


A Gestalt-terapia na clínica contemporânea ajuda a entender a origem e o modo como o sofrimento humano se estrutura
O homem moderno se encontra diante de diversos desafios como a solidão, o isolamento, a competitividade e o senso de desligamento do mundo.

Ao longo deste artigo, vamos explorar por que a Gestalt-terapia segue sendo uma abordagem potente para compreender os sofrimentos psíquicos do nosso tempo, quais são seus principais fundamentos clínicos, como ela dialoga com desafios contemporâneos e por que isso importa tanto para psicólogos, psicoterapeutas em formação e profissionais que desejam aprofundar sua compreensão clínica.



1. O que torna a clínica contemporânea diferente?

A clínica contemporânea não lida apenas com sintomas mais “novos”; ela lida com uma reorganização mais ampla das formas de sofrimento, dos vínculos, do tempo vivido e das condições de subjetivação. Em outras palavras, não mudou apenas a aparência dos sintomas — mudaram também os modos de existência em que eles emergem.


Diversos autores têm mostrado que a contemporaneidade é marcada por aceleração, excesso de positividade, cobrança por desempenho, enfraquecimento de referências estáveis e aumento de experiências de exaustão, vazio e desconexão. Byung-Chul Han, por exemplo, descreve a sociedade do desempenho como um cenário em que o sujeito se explora a si mesmo, produzindo cansaço, esgotamento e sofrimento psíquico sob a aparência de liberdade (Han, 2017). Hartmut Rosa, por sua vez, chama atenção para a aceleração social e para o empobrecimento da ressonância com o mundo, ou seja, da capacidade de ser afetado de modo vivo pelas relações, pelo tempo e pela experiência (Rosa, 2019).


Na prática clínica, isso aparece de muitas formas: pessoas que não conseguem sustentar presença; adolescentes tomados por angústia, desorganização e retraimento; adultos com sensação crônica de inadequação; sujeitos hiperconectados, mas empobrecidos no contato; relações frágeis; sofrimento difuso que não cabe facilmente em categorias psicopatológicas tradicionais.


A Gestalt-terapia pode oferecer uma leitura fecunda desse cenário porque não parte apenas da classificação do sintoma, mas da descrição do modo como a pessoa organiza seu contato consigo, com o outro e com o mundo. Como observa Ginger, a clínica gestáltica se interessa menos por explicar abstratamente e mais por compreender como a existência se configura concretamente no aqui-agora, sem perder de vista a história e o campo relacional em que essa existência se constitui (Ginger & Ginger, 1995).


Assim, a pergunta clínica deixa de ser apenas “qual é o transtorno?” e passa a incluir perguntas como:

  • Como essa pessoa se interrompe?

  • Como ela sustenta ou evita o contato?

  • De que maneira seu sofrimento se organiza no campo relacional em que vive?

  • Que tipo de ajustamento criativo se tornou rígido?

  • O que, em sua experiência, perdeu vitalidade, simbolização ou possibilidade de transformação?


2. Por que a Gestalt-terapia na clínica contemporânea continua atual?

A atualidade da Gestalt-terapia não depende de modismos, mas da consistência de alguns de seus fundamentos. Entre eles, destacam-se: a centralidade da experiência, a compreensão relacional do sofrimento, a atenção ao corpo e à presença, a noção de campo, o valor da awareness e o reconhecimento da autorregulação organísmica.


A Gestalt-terapia entende que a experiência humana não se dá de forma isolada, mas em relação. O sujeito não é pensado como uma entidade fechada sobre si mesma, e sim como alguém que se constitui em contato com um mundo. Essa compreensão é especialmente relevante hoje, quando muitos sofrimentos aparecem justamente como alterações do contato: dessensibilização, hiperadaptação, retraimento, dispersão, rigidez, fragmentação da presença, dificuldade de simbolizar, redução da espontaneidade e perda de apoio relacional.


Yontef afirma que a Gestalt-terapia é, em seu núcleo, uma abordagem dialógica e fenomenológica, interessada em compreender a experiência tal como ela se apresenta, antes de reduzi-la a explicações apressadas (Yontef, 1998). Isso dá à clínica gestáltica uma força particular diante de contextos complexos, pois permite acolher ambiguidade, tensão e singularidade sem recorrer imediatamente a esquemas simplificadores.


Além disso, a Gestalt-terapia conserva algo decisivo para o presente: a aposta na presença. Em um tempo de aceleração, automatismo e saturação informacional, a possibilidade de ajudar alguém a recuperar awareness, diferenciação e contato vivo torna-se clinicamente valiosa. Ribeiro observa que a awareness não é apenas uma tomada cognitiva de consciência, mas uma ampliação da presença e da capacidade de perceber-se em situação, em relação e em processo (Ribeiro, 2011).


Uma composição artística e realista que retrata o isolamento na era digital. Em primeiro plano, as mãos de duas pessoas se tocam suavemente sob uma luz quente e acolhedora, simbolizando conexão real. Ao fundo, através de uma janela de vidro, observa-se uma cidade noturna fria e desfocada, sobreposta por uma chuva de ícones de notificações digitais, telas brilhantes e códigos, criando um contraste visual entre a frieza da dispersão tecnológica e o calor do contato humano presencial.


Outro ponto importante é que a Gestalt-terapia trabalha com a ideia de ajustamento criativo. Aquilo que hoje aparece como sintoma pode ter sido, em algum momento, a melhor resposta possível de uma pessoa diante de determinada configuração existencial. O problema não está na existência de ajustamentos, mas em sua cristalização, quando deixam de servir à vida e passam a empobrecê-la. Essa compreensão favorece uma clínica menos moralizante, menos apressada e mais sensível à inteligência do sofrimento.


3. Sofrimentos psíquicos contemporâneos: quais desafios aparecem com mais força?

Embora cada experiência seja singular, alguns eixos têm aparecido com frequência na clínica contemporânea e exigem atenção especial.


3.1 Ansiedade, aceleração e excesso de estímulos

Muitas pessoas vivem em estado de alerta contínuo. Não se trata apenas de “ansiedade” como categoria diagnóstica, mas de uma forma de existência atravessada por pressa, autovigilância, excesso de demandas e dificuldade de repousar na experiência. O corpo se torna tenso, a atenção se dispersa, a presença se fragmenta.


Nessa situação, a clínica gestáltica pode ajudar a restituir sensibilidade, ritmo, diferenciação e apoio. Isso implica trabalhar não apenas com o conteúdo verbal do sofrimento, mas com respiração, postura, linguagem corporal, ritmo da fala, modos de evitar ou precipitar contato e formas de interrupção da experiência.


3.2 Hiperconectividade, uso excessivo de telas e empobrecimento do contato

A conectividade permanente reorganizou profundamente os modos de atenção, presença, comparação social e regulação emocional. Nem todo uso intenso de tecnologia configura sofrimento clínico, mas em muitos casos há empobrecimento da experiência, dependência de estimulação contínua, evasão do vazio, compulsão por atualização e dificuldade de sustentar silêncio, espera ou presença encarnada.


Essa questão precisa ser pensada com cuidado, sem moralismo e sem simplificações. A clínica gestáltica pode oferecer uma via importante ao perguntar não apenas “quanto tempo a pessoa usa telas?”, mas “que função esse uso cumpre em sua organização de contato?”. Em alguns casos, trata-se de alívio; em outros, de entorpecimento; em outros ainda, de tentativa de pertencimento ou regulação afetiva.



3.3 Sofrimento juvenil, violência e desamparo

Adolescentes e jovens frequentemente expressam sofrimento por meio de retraimento, impulsividade, angústia intensa, desorganização emocional, autolesão, conflitos escolares ou sensação de não pertencimento. A clínica precisa aqui de grande delicadeza e também de responsabilidade ética. Não basta escutar o indivíduo isoladamente; é necessário considerar rede, família, escola, contexto social e condições contemporâneas de subjetivação.


A Gestalt-terapia pode contribuir ao sustentar presença, contato e reconhecimento da experiência, sem reduzir o jovem a um comportamento-problema. Como lembra Müller-Granzotto e Müller-Granzotto, a clínica gestáltica demanda atenção ao campo e à dimensão relacional dos fenômenos, sobretudo quando o sofrimento se apresenta de forma intensa ou desorganizada (Müller-Granzotto & Müller-Granzotto, 2012).


3.4 Casos complexos e limites do terapeuta

Outro traço importante da clínica contemporânea é a frequência com que o terapeuta encontra situações que desafiam sua segurança técnica e sua sustentação pessoal. Casos de sofrimento grave, trauma, intensa instabilidade emocional, empobrecimento simbólico, alta vulnerabilidade relacional ou grande fragmentação exigem mais do que repertório técnico: exigem maturidade clínica, supervisão e formação continuada.


Nesses contextos, a Gestalt-terapia não pode ser reduzida a caricaturas de espontaneísmo ou experimentalismo. Ao contrário, ela pede rigor, critério e responsabilidade. Hycner ressalta a importância do encontro dialógico e do reconhecimento da alteridade do paciente, o que exige do terapeuta uma presença que não invade, não coloniza e não simplifica o outro (Hycner, 1995).


Como observa Karwowski, a cultura contemporânea parece organizar-se frequentemente em torno de uma evitação da negatividade e da angústia, produzindo modos de existência orientados por um imperativo de bem-estar que empobrece a capacidade de sustentar certas experiências fundamentais do viver (Karwowski, 2020).


3.5 Drogadicção, compulsão e anestesiamento da experiência

Entre os sofrimentos psíquicos contemporâneos, também se destacam formas de compulsão e dependência que não podem ser compreendidas apenas como “falta de controle” individual. Em muitos casos, a drogadicção aparece como tentativa de regulação do sofrimento, anestesiamento da angústia, alívio do vazio ou busca de algum tipo de apoio experiencial. Nessa direção, Maté sustenta que a adicção precisa ser compreendida em relação à dor psíquica e às falhas nas condições de cuidado e vínculo, e não apenas a partir da substância em si (Maté, 2010).


Para uma leitura gestáltica, isso significa perguntar menos “por que a pessoa usa?” em sentido moralizante e mais “que função esse uso cumpre em sua organização de contato?”. Em alguns casos, trata-se de amortecer o desamparo; em outros, de conter ansiedade intensa, vazio, retraimento ou desesperança. A clínica exige, então, sensibilidade para reconhecer a inteligência defensiva implicada nesse ajustamento, sem perder de vista seus efeitos destrutivos e a necessidade de reconstrução de apoio, awareness e possibilidade de contato.


4. O que a Gestalt-terapia oferece, concretamente, à clínica de hoje?

A contribuição da Gestalt-terapia para a clínica contemporânea não está em prometer respostas fáceis, mas em oferecer um modo consistente de compreender e acompanhar a experiência humana em sua complexidade. Entre suas contribuições mais relevantes, podemos destacar:


4.1 Uma compreensão relacional do sofrimento

O sofrimento não é lido apenas como falha interna, mas como modo de organização da experiência no campo organismo/ambiente. Isso evita reducionismos e amplia a sensibilidade clínica.


4.2 Atenção ao corpo e à presença

Num tempo de dissociação, aceleração e virtualização, o corpo volta a ser referência decisiva. A Gestalt-terapia ajuda a perceber tensões, bloqueios, ritmos, microinterrupções, respiração, postura e modos encarnados de presença.


4.3 Valorização da awareness

A awareness amplia a capacidade de perceber o que se vive, como se vive e o que se evita viver. Não é mero insight intelectual; é presença sensível e diferenciada na experiência (Ribeiro, 2011).


4.4 Critério para compreender ajustamentos criativos

Sintomas deixam de ser apenas “erros” e passam a ser compreendidos como respostas que tiveram função em algum momento. Isso humaniza a clínica e favorece intervenções mais precisas.


4.5 Centralidade da relação terapêutica

A mudança não acontece apenas porque o paciente “entende” algo, mas porque vive uma experiência relacional diferente, na qual pode perceber-se, diferenciar-se e reorganizar-se no contato.



Foto realista de um encontro clínico em um ambiente acolhedor. O foco está no gesto de cuidado: as mãos de um terapeuta seguram com suavidade as mãos de uma cliente sobre uma mesa de madeira rústica. A cliente, uma mulher madura, está com a cabeça levemente baixa e a mão na testa, expressando vulnerabilidade e cansaço, enquanto o terapeuta mantém uma postura de presença e escuta profunda. A iluminação é suave e o cenário inclui prateleiras com livros e plantas, reforçando uma atmosfera de suporte, humanidade e encontro relacional.
Um encontro clínico em um ambiente acolhedor. As mãos de um terapeuta seguram com suavidade as mãos de uma cliente sobre uma mesa de madeira rústica com uma postura de presença e escuta profunda.


5. A Gestalt-terapia precisa se atualizar?

Sim — mas atualizar-se não significa abandonar seus fundamentos. Significa aprofundá-los e torná-los capazes de dialogar com as novas configurações do sofrimento.


Toda abordagem clínica corre dois riscos: ou se cristaliza e vira repetição dogmática, ou se dissolve em adaptações superficiais. A atualização fecunda da Gestalt-terapia depende de conservar sua espinha dorsal fenomenológica, relacional e clínica, ao mesmo tempo em que amplia seu diálogo com temas como trauma, sofrimento juvenil, neurodiversidade, hiperconectividade, processos grupais contemporâneos e complexidade psicopatológica.

Isso exige estudo, supervisão, formação séria e abertura crítica. Exige também superar leituras empobrecidas da própria Gestalt-terapia, como se ela se resumisse a técnicas vivenciais ou intervenções dramáticas. Robine insiste que a Gestalt-terapia não pode ser compreendida sem a noção de campo e sem a radicalidade de sua aposta na experiência situada (Robine, 2006).


Essa perspectiva requer uma atitude fenomenológica que suspenda reduções precipitadas e favoreça a descrição rigorosa da experiência tal como ela se apresenta. Nesse sentido, Karwowski (2005) chama atenção para a importância do método fenomenológico na Gestalt-terapia como condição para uma clínica menos explicativa e mais compreensiva.


Do ponto de vista institucional, isso significa que formar psicoterapeutas em Gestalt-terapia hoje implica muito mais do que transmitir técnicas. Implica formar sensibilidade clínica, pensamento, capacidade diagnóstica ampliada, presença terapêutica, responsabilidade ética e leitura de campo.


6. O que isso significa para psicólogos e psicoterapeutas em formação?

Para muitos psicólogos, a entrada na clínica é acompanhada por uma tensão importante: possuir conhecimento teórico não garante, por si só, a sustentação de uma prática psicoterápica madura. Entre saber conceitos e acompanhar experiências humanas complexas há um intervalo formativo decisivo.


É justamente nesse ponto que a Gestalt-terapia, quando ensinada com rigor, mostra sua força. Ela ajuda o terapeuta a desenvolver presença, escuta fenomenológica, leitura relacional, critério de intervenção, sensibilidade ao campo e maior consciência de seus próprios modos de contato. Em outras palavras, não se trata apenas de aprender “o que fazer”, mas de transformar o próprio modo de estar clinicamente diante do outro.


Em texto sobre a formação do gestalt-terapeuta, Karwowski (2021) destaca que a especialização não deve ser compreendida apenas como titulação, mas como aprofundamento do pensamento clínico, da prática supervisionada e da experiência formativa necessária ao trabalho psicoterápico.


Essa formação se torna ainda mais necessária quando a clínica contemporânea apresenta desafios como trauma, sofrimento juvenil, dependência tecnológica, retraimento relacional, empobrecimento simbólico e casos de alta complexidade. Sem formação continuada, supervisão e aprofundamento clínico, o risco é que o terapeuta atue ou de forma excessivamente protocolar, ou de forma intuitiva demais, sem sustentação.



7. Conclusão: a atualidade da Gestalt-terapia está em sua capacidade de encontrar o humano onde ele se tornou mais frágil

A Gestalt-terapia continua atual porque continua sendo profundamente clínica. Em vez de oferecer respostas rápidas para sofrimentos complexos, ela sustenta um modo de compreender a experiência humana em sua densidade relacional, corporal, histórica e existencial.


Em tempos de aceleração, fragmentação, hiperconectividade e empobrecimento do contato, essa abordagem preserva algo essencial: a aposta de que o sofrimento pode ser compreendido sem ser reduzido; de que a pessoa pode ser acompanhada sem ser encaixada; de que a relação terapêutica pode ser um espaço real de transformação; e de que presença, awareness e contato seguem sendo dimensões decisivas do cuidado clínico.

Ao mesmo tempo, a clínica contemporânea desafia a própria Gestalt-terapia a aprofundar seus fundamentos e ampliar seu diálogo com novas configurações do sofrimento. Isso exige estudo, supervisão, pensamento clínico e formação séria.


Para psicólogos e psicoterapeutas, essa não é uma questão secundária. É o próprio coração do trabalho clínico hoje: como sustentar presença e compreensão em um mundo que fragmenta a experiência? Como acolher a complexidade sem cair em simplificações? Como formar terapeutas capazes de escutar os sofrimentos do nosso tempo com sensibilidade, critério e consistência?


É nesse horizonte que a Gestalt-terapia segue tendo muito a oferecer.


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FAQ — Perguntas frequentes


1. O que a Gestalt-terapia entende por clínica contemporânea?

A expressão se refere aos modos atuais de sofrimento e às condições de vida que atravessam a subjetividade hoje, como aceleração, hiperconectividade, fragilidade dos vínculos, sofrimento juvenil, trauma, exaustão e complexidade clínica. A Gestalt-terapia procura compreender esses fenômenos a partir da experiência vivida, do contato e do campo relacional.


2. A Gestalt-terapia ainda é atual diante dos sofrimentos psíquicos de hoje?

Sim. Sua atualidade está justamente em não reduzir o sofrimento a categorias abstratas e em trabalhar com presença, awareness, corpo, relação terapêutica e ajustamentos criativos. Esses elementos permanecem muito relevantes na clínica contemporânea.


3. A Gestalt-terapia serve apenas para questões existenciais leves?

Não. Essa é uma leitura reducionista da abordagem. A Gestalt-terapia pode contribuir também em contextos de sofrimento intenso e casos complexos, desde que praticada com rigor clínico, formação adequada, supervisão e responsabilidade ética.


4. Qual a diferença entre Gestalt-terapia e abordagens centradas apenas em técnica?

A Gestalt-terapia não exclui técnica, mas não reduz a clínica a procedimentos. Ela entende que a transformação terapêutica depende da relação, da qualidade da presença, da awareness e da compreensão do campo em que a experiência se organiza.


5. Como a Gestalt-terapia compreende o sofrimento sem reduzir a pessoa ao diagnóstico?

Ela considera que o diagnóstico pode ter utilidade, mas não esgota a compreensão clínica. O foco está em como a pessoa vive, se organiza, interrompe contato, cria ajustamentos e se constitui em relação ao mundo e aos outros.


6. A Gestalt-terapia ajuda a compreender sofrimento ligado ao uso excessivo de tecnologia?

Sim. A abordagem pode ajudar a entender que função o uso de telas cumpre na organização da experiência: regulação emocional, evitação, busca de pertencimento, entorpecimento, hiperestimulação ou dificuldade de sustentar contato.


7. Por que a formação em Gestalt-terapia é importante para a clínica contemporânea?

Porque os sofrimentos atuais exigem mais do que repertório conceitual solto. Exigem presença clínica, critério de intervenção, leitura relacional, supervisão e capacidade de sustentar casos complexos sem simplificar o sofrimento humano.


8. A Gestalt-terapia trabalha apenas com o aqui-agora?

Não. O aqui-agora é central, mas não significa ignorar história, contexto ou passado. Significa compreender como a história aparece e se atualiza na experiência presente, no corpo, na relação e no campo clínico.


9. A Gestalt-terapia pode dialogar com temas como autismo, sofrimento juvenil e arte-terapia?

Sim. Uma Gestalt-terapia clinicamente madura pode dialogar com neurodiversidade, sofrimento juvenil, recursos expressivos, trauma e outros desafios contemporâneos, desde que preserve seus fundamentos e evite simplificações.


10. Quem pode se beneficiar de estudar mais profundamente Gestalt-terapia hoje?

Sobretudo psicólogos, psicoterapeutas em formação e profissionais da clínica que desejam ampliar sua compreensão do sofrimento humano, qualificar sua presença terapêutica e aprofundar seu trabalho clínico.


Referências bibliográficas

BYUNG-CHUL HAN. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2017.


GINGER, Serge; GINGER, Anne. Gestalt: uma terapia do contato. São Paulo: Summus, 1995.


HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2017.


HYCNER, Richard. De pessoa a pessoa: psicoterapia dialógica. São Paulo: Summus, 1995.


KARWOWSKI, Silverio. Por onde anda a angústia? Instituto Gestalt do Ceará, 30 ago. 2020. Atualizado em 11 jan. 2021.


KARWOWSKI, S. L. Gestalt-terapia e fenomenologia: considerações sobre o método fenomenológico em Gestalt-terapia. Campinas: Livro Pleno, 2005.


KARWOWSKI, S. L. O método fenomenológico na Gestalt-terapia segundo formadores de Gestalt-terapeutas. 2002. Dissertação (Mestrado em Psicologia Clínica) — Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas.


MATÉ, Gabor. No reino dos fantasmas famintos: encontros íntimos com a adicção. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.


MÜLLER-GRANZOTTO, Marcos José; MÜLLER-GRANZOTTO, Rosane Lorena. Fenomenologia e Gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 2012.


PERLS, Frederick; HEFFERLINE, Ralph; GOODMAN, Paul. Gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 1997.


RIBEIRO, Jorge Ponciano. Gestalt-terapia: refazendo um caminho. São Paulo: Summus, 2011.


ROBINE, Jean-Marie. Manifesto por uma Gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 2006.


ROSA, Hartmut. Ressonância: uma sociologia da relação com o mundo. São Paulo: Editora 34, 2019.


YONTEF, Gary. Processo, diálogo e awareness. São Paulo: Summus, 1998.



 
 
 

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