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O psicólogo precisa realmente fazer pós-graduação?

Atualizado: 24 de Jan de 2019





A dúvida sobre começar ou não uma pós-graduação acompanha alguns psicólogos pois, embora todos saibam da importância de cuidar de sua carreira, podem ainda não ter se decidido de como começar a gestão da carreira, e também sobre o papel da pós-graduação em sua profissão. Para isso, é preciso saber se o psicólogo precisa mesmo de uma pós-graduação e qual é a mais adequada para aquilo que se pretende.


Nesse post será tratado se o psicólogo precisa fazer pós ao terminar sua faculdade, quais os tipos de pós disponíveis para psicólogo, suas características e como se adequam aos objetivos do profissional.


Sobre a necessidade da pós para psicólogos

Uma das características da profissão do psicólogo é permitir a atuação em diversas áreas, pois onde existem seres humanos haverá possibilidades de atuação profissional, seja no que se refere às possíveis dificuldades dessas pessoas com elas mesmas, seja no que diz respeito à melhoria dos aspectos positivos inerentes a todo e qualquer ser humano.


No entanto, apesar do MEC exigir que todo curso de graduação seja generalista, ou seja, cursos que não atendam a nenhuma especialidade e permita ao egresso atuar em qualquer campo de trabalho em que haja demanda, também exige que todo curso possua as chamadas ênfases que nada mais são que agrupamento de conhecimentos relacionados com a vocação da região onde está inserido. Dessa maneira, as faculdades oferecerão ênfases em clínica, organizacional, social e comunitária, ou qualquer uma outra que contemple as necessidades da cidade ou região onde a faculdade oferece a graduação.

Sendo assim, todo psicólogo está legalmente apto a atuar em qualquer área da psicologia, tão logo saia da faculdade. Isso então suscita a pergunta: o psicólogo precisa mesmo fazer pós-graduação?


A diversidade de áreas de atuação em psicologia

A questão principal relacionada à carreira do psicólogo diz respeito à amplitude das áreas de atuação em psicologia. O Conselho Federal atualmente reconhece 11 especialidades.


Considerando que preparar-se, durante a graduação, para atuar em cada uma dessas áreas é missão impossível, então nenhum profissional de psicologia sai da faculdade com competência suficiente para exercer com maestria sua profissão. Não significa que os psicólogos são profissionalmente incompetentes, muito pelo contrário. Como afirmado, todo profissional sai da faculdade com base suficiente e legalmente apto a atuar em qualquer uma das áreas que atuam o psicólogo, mas lhe falta o aprimoramento para o exercício mais eficaz da profissão.


Situações cotidianas

Apenas para exemplificar, um aluno pode, durante a faculdade direcionar toda sua formação para a área de neuropsicologia: fazer cursos extras, participar de congressos na área, ler artigos e livros a respeito, fazer estágios obrigatórios e voluntários, de modo que se torna mais conhecedor nessa área que a maioria de seus colegas.


No entanto, quando se forma, o aluno precisa começar a trabalhar, seja por necessidade ou por pressão familiar, seja porque sente a necessidade de atuar naquilo que gosta. Porém, ao invés de encontrar emprego ou possibilidade de ação imediata como neuropsicólogo, surge a possibilidade de atuar como psicólogo organizacional em uma empresa que está selecionando profissionais da área. Pressionado pelas diversas necessidades, o psicólogo assume a vaga e finalmente ingressa na tão sonhada vida profissional. Mas então, para exercer sua profissão com excelência, é necessário ter domínio da área, e é nessa hora que uma pós-graduação fará toda diferença.


Outra situação muito comum, é o profissional ter se preparado para a área de psicologia hospitalar, mas não conseguir vaga na área. Coincidentemente, um grupo de colegas está abrindo uma clínica e o convite para participar é estendido a ele. Entendendo que a neuropsicologia é uma subárea da clínica e que sua formação foi generalista, o psicólogo sabe que está legalmente autorizado a assumir essa vaga, e aceita o convite.


Não demorará muito para que o psicólogo descubra que a atuação no consultório particular inclui práticas clínicas bem específicas, envolvendo inclusive a atuação em psicoterapia.


Nesse momento, fazer parte de um Curso de Formação ou de Especialização trará as competências suficientes para que o profissional saiba fazer o psicodiagnóstico, o plano de tratamento, os prognósticos possíveis, a definição das formas de intervenção, as intervenções e os demais processos de psicoterapia.


Saber lidar com as diversas fases da psicoterapia é uma importante competência do clínico e um fator decisivo para o sucesso dos processos de seus pacientes, sendo assim também um marcador positivo da carreira do psicoterapeuta. Essas habilidades o profissional adquirirá em um bom Curso de Formação ou de Especialização.


Tipos mais comuns de pós-graduação em psicologia

Em psicologia, diferentemente de outras áreas, o psicólogo vai encontrar a sua disposição não apenas os cursos de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) e lato sensu (Cursos de Especialização) mas também os Cursos de Formação.


Os cursos stricto sensu

São os programas de mestrado e doutorado, com duração respectiva de dois e quatro anos, sendo indicados para as pessoas que desejam seguir na área acadêmica como professor de Instituições de Ensino Superior (mestrado) ou como pesquisador (doutorado). Existe ainda o chamado pós-doc ou pós-doutorado, destinado apenas aos profissionais que terminaram mestrado e doutorado e que representa o grau acadêmico final e mais elevado.


O mestrado acadêmico

Tem por objetivo auxiliar o aluno a entrar no mundo da pesquisa acadêmica. Possui uma área de conhecimento mais fechada e se constitui como um subgrupo da área profissional de graduação. Além de possuir disciplinas mais aprofundadas, é desenvolvido também um trabalho de iniciação científica, dotado em grande parte do trabalho de levantamento bibliográfico do aluno e de sua interpretação das temáticas estudadas, seguido da elaboração da dissertação de mestrado que deve ser defendida perante uma banca compostas por doutores.

A CAPES, órgão governamental responsável por regular os cursos de mestrado e doutorado, define que o objetivo principal dos Cursos de Mestrado é formar professores para cursos de graduação das diversas faculdades do país.


O doutorado

O cursos de doutorado, por sua vez, possuem ampla área do conhecimento, embora ainda especificamente como um subgrupo da área profissional. Possui um conjunto de disciplinas semelhantes ao mestrado, sendo que alguns programas permitem o aproveitamento de disciplinas do mestrado, quando o aluno faz o doutorado no mesmo programa. Diferentemente do mestrado, o doutorado forma pesquisadores. Para este fim o aluno precisa desenvolver uma tese original e deve defendê-a também erante uma banca composta por doutores.


Os Cursos Latu Senso - MBA e Especializações

No Brasil, os MBA - Mestrado em Administração de Negócios são considerados uma especialização (pós-graduação latu senso).


As especializações não se submetem à avaliação sistemática da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), como por exemplo os cursos de mestrado e doutorado. Obedecem a uma apreciação menos aprofundada, por parte do Ministério da Educação, que elabora para isso, indicadores seguros de regularidade do curso, como o credenciamento institucional (a faculdade precisa estar inscrita e autorizada a funcionar pelo Ministério da Educação) e a declaração de que o curso atende aos requisitos mínimos de qualidade.


Segundo os últimos critérios, os indicadores mínimos de qualidade são um percentual de 70% do corpo docente formado por mestres e doutores e um mínimo de 360 horas de curso. Havia também uma exigência da elaboração de um Trabalho de Conclusão de Curso

que muitas vezes assumia a forma de uma monografia ou da publicação de um artigo científico que foi recentemente derrubada pelo próprio Ministério da Educação.


Os Cursos de Formação

Os Cursos de Formação em psicologia, historicamente são oferecidos por associações de profissionais, reconhecidamente competentes, e que possuem larga experiência de atuação na área em que oferecem o curso.


Esses cursos nasceram de forma livre, independente de autorizações ou avaliações do MEC, entendendo seus organizadores que a formação é mais importante que a titulação, pois as habilidades e competências são garantidores de eficácia e não o título em si. Dessa maneira, possuem via de regra a exigência de prática supervisionada, e quando em clínica, a exigência da psicoterapia do futuro psicoterapeuta. Devido a essas exigências, um curso de formação sempre tem uma carga horária de 500 a 600 horas, representando assim quase o dobro de uma especialização. Não é pouco então considerar que os cursos de Formação gozaram, durante muito tempo, de maior respeito que os cursos de especialização, reconhecendo os profissionais da área, e como o próprio nome diz, que é necessário ao profissional mais formação e menos titulação.


Esses cursos também representaram uma forma de oferecer conhecimento que, pelo seu rigor, formavam mais que especialistas, sem precisar de aprovação ou avaliação governamental, numa época em que as faculdades privadas eram restritas e as públicas detinham o poder de dizer qual seria o leque de conhecimentos a ser oferecido.


Especialização e Formação – Diferenças

A diferença fundamental entre a especialização e a formação está na titulação (a especialização confere um grau acadêmico e a formação não); na quantidade de horas do curso (a formação via de regra possui carga horária maior), na experiência dos docentes (a formação exige maior tempo de atuação do docente, enquanto a especialização exige maior conhecimento acadêmico); na exigência de prática supervisionada (normalmente uma formação exige atuação prática durante o curso e a especialização não exige)


Semelhanças

A característica principal da formação e da especialização é preparem o profissional para o mercado, confrontando então com o mestrado e doutorado que focam, cada um a seu modo, a academia.


Quem está interessado numa preparação e consolidação profissional voltada para o mercado precisa pensar nos cursos de especialização e de formação. Quem está interessado em lecionar (curso de graduação) precisa pensar em mestrado e doutorado, a depender dos novos instrumentos de avaliação do Ministério da Educação e de como as faculdades os interpretarão. O momento é de cautela para os mestrados e doutorados.


Os cursos de aperfeiçoamento

Embora o foco desse post seja as pós-graduações, é muito importante mencionar o papel dos cursos de aperfeiçoamento na carreira do psicólogo.

Os cursos de aperfeiçoamento não se caracterizam como pós-graduações. Na verdade não conferem um grau acadêmico na progressão da carreira científica. São cursos de qualificação profissional para que profissionais com habilidades específicas possam desenvolver novas habilidades, fazendo acréscimo em sua carreira, como aumento de eficácia e de competência técnica. São importantes para habilidades específicas ligadas a determinado conhecimento ou atuação e nem por isso devem receber menos atenção do profissional.

Em outro post trataremos especificamente desse tema.


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